Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Porque não!

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O mundo dos humanos é parametrizável em tudo desde a sua génese em que alegres homo habilis (em inglês gay homos) se comiam à canzana numa tentativa, aparentemente bem sucedida, de perpetuar a espécie.

Já nessa altura, calculo eu, os habilidosos acertassem os parâmetros da sua conduta de forma a serem parte duma tribo e, quiçá com um pouco de sorte, os reis da senzala. Perdoem-me o angolismo mas eu sou da Costa de Caparica e já é uma sorte eu não escrever em brasileiro. Além disso, como todos sabem, se alguém quer ter algum sucesso em Portugal, convém gritar a plenos pulmões que se lembra dos cheiros de África embora tenha saído de lá ainda como projecto nos tomates do pai. Eu, pobre oriundo de Lisboa, não me posso dar a esses luxos de hipócritas saudades do terceiro mundo e só me lembro dos eléctricos e do salão de jogos perto do Largo do Rato. Cheiros, só dos escapes dos automóveis quando ainda não existiam inspecções obrigatórias.

Mas parametrizei-me. Afinal de contas, também quero provar um pouco da caça da tribo e tenho medo de ser excluído da sociedade. No entanto, com maior ou menor medo, sei dizer que não. E se me perguntam porquê, eu, tal e qual uma criança que ainda não foi parametrizada, respondo:


- Porque não!


Porque não, porquê?” É preciso um porquê? Talvez porque não me apeteça, talvez porque seja a minha escolha, talvez porque eu ache, do fundo do coração, que são todos uma carneirada nojenta e que a espécie evoluiu dos homo habilis para os homo carneiris.
Marrem comigo à vontade, repito que tenho medo, mas marrem. Não vou perder o medo mas também não perderei a coragem de dizer mais uma vez:


- Porque não!


"És muito imaturo." Sou, sim. Talvez ainda por parametrizar. Talvez morra assim. Sem memórias falsas e sem me subjugar. Greves? A greve começa em abdicares do que a sociedade te convenceu que é necessário teres para ser feliz.

E, assim, em vez de gritar por revolta e greves eu grito:


- Abdica!


E, se me perguntares porquê, eu respondo:


- Porque sim!




O que é que eu vou fazer quando for pobre

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 E, como não há feira popular que não dê em farturas, temos mais um autor convidado: Victor Figueiredo. Um desabafo sobre a pobreza que também se poderia chamar sem moedas não há voltas no carrocel.
 
 

 
Este desabafo podia chamar-se:
“O que é que eu vou fazer quando for pobre.”

Ando um bocado cansado de ouvir uma data de gente a dizer-me o que devo fazer quando for pobre, sendo que nunca fui rico.

Antes, quando éramos ricos, tínhamos aqueles outdoors de 50 em 50 metros "descapotável, ganda bomba, caça-grelos garantido, só 20 euros (em letras miudinhas, "por dia").
Depois eram aqueles gajos dos bancos a ligarem "cartão de crédito para si que é um cliente muito especial,
crédito ilimitado e tal, vá lá, compre, gaste, consuma que a gente empresta e isso de pagar logo se vê".

Agora, que vamos ser pobres, são os políticos, "emigrem, saiam da zona de conforto, não sejam piegas, vão para o desemprego que pode ser uma grande oportunidade, comam pastéis de nata para salvar a Nação" e tal, e aquela senhora que me alertou para o facto de não poder comer bifes se não puder comer bifes e que tenho de lavar os dentes de torneira fechada.
Ando um bocado cansado que me digam o que devo fazer quando for pobre, repito. Sendo que nunca fui rico.
Agora, até aquele senhor Arcebispo de Braga diz que a Igreja "não tem por vocação descobrir os caminhos que se devem percorrer enquanto sociedade" mas, como as Tentações do Púlpito (escrevi com letra grande porque acho que daria um bom título para um quadro de Bosch) são demasiado tentadoras lá vai dizendo que é necessário "reconhecer que há coisas que são desnecessárias, supérfluas, que se passam bem sem elas". Este Arcebispo deve ser Franciscano. Fui ver. Não é. É do Vaticano mesmo, aquele síto onde também rejeitam muito o supérfluo.

Estou mesmo cansado que me digam o que devo fazer quando for pobre. Sendo que... já sabem.

O arcebispo de Braga salientou ainda que "a questão do desemprego é muito preocupante" e que existe hoje "muita gente a acordar todos os dias com este enigma diante dos olhos". Esta declaração tem o seu quê de enigmático, sim. Primeiro, pode significar que a pessoa foi despedida durante a noite porque adormece empregada e acorda desempregada ou pelo menos com o "enigma" do desemprego. Nunca tinha visto o desemprego como um "enigma". Como uma oportunidade, sim, já nos disseram que pode ser, agora, um"enigma"... mas acho que já percebi. Como um sacerdote nunca fica no desemprego essa é uma situação deveras enigmática, para o próprio.

"A austeridade passará por aí e teremos que nos habituar a ela". Ah que cansaço. Obrigado a todos pela preocupação. Obrigado por terem a bondade de me dizer o que fazer quando for pobre. Sendo que e tal, né? Obrigado as estas pessoas cujo mister parece ser dizer a todos o que fazer quando formos pobres.

Supérfluo, caro Arcebispo. Supérfluo, senhora do bife. Eu sei bem o que fazer quando for pobre. Aliás, não há muito a fazer, não é? É essa a vantagem de ser pobre. Aliás, já me esquecia, eu nunca fui rico. Estou cansado que me digam e não sei quê.

O sangue que se derrama

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O sangue que se derrama
Que não seja em vão…
As lágrimas que são brutalmente derramadas
Que sejam do coração

A letra deformada, de uma canção
Arrebatada com impetuosidade
Pelos implacáveis tiranos da nossa sociedade
Que seja o retrato da nossa obediente nação

Que relate a imutável guerra
Padecimento doado pelo nosso sistema
Cravando nos rostos a animalidade do ser denominado homem
E com subtil rudeza vão se caracterizando “homens do poder”…

E assim a humanidade percorre caminhos ditado pela realeza capitalista
Que distingue os inocentes “pobres” pelos porcos “podres” de ricos….

E que a letra deformada da nossa canção
Seja um infindável retrato da nossa “bela” nação…

O Balde

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Sempre fui e sempre serei contra o acordo ortográfico. Tal não significa desrespeito pela forma de expressão dos brasileiros que tantas alegrias nos deram. E, vocês mentes mais impuras, não comecem a pensar em casas de putas.
De Governador Valadares, com muita amizade e orgulho, apresentamos o nosso primeiro convidado brasileiro: Bruno Corbelli
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Memórias em comandita

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Não tenho memórias no mercado de acções nem memórias em comandita. Não as partilho, empresto ou vendo.

São minhas.
Só minhas.

E, tudo que ia contar já não conto porque é meu. Lembro-me bem e vale mais do que ouro mas torno a dizer: não vendo nem empresto.

As memórias são minhas e tenho medo de as perder.

Mesmo que fosse para as partilhar contigo não o faço.

Tu és parte delas e elas são minhas.
Não as partilho, empresto ou vendo com medo de te perder também mais uma vez.

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