Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Joe e a pornografia

+ 12 comentários
Prefácio (sempre quis escrever um mas, para quem não quiser ler, saltar para a parte com destaque a amarelo. Afinal de contas, o texto é do Joe e não posso ter um prefácio maior do que o texto do autor convidado):

Tem sido um Domingo produtivo. Acordei às 6 da matina, ninguém sabe muito bem porquê, vi metade dum filme e tornei a acordar ao meio-dia já convenientemente deitado no sofá da sala e perto do tabaco.

Verifiquei, com tristeza e consternação, que não tinha café. Optei por um chá preto que acaba por fazer o mesmo efeito: uma merda qualquer fervida para acompanhar o cigarro.

Claro que este ritual não estaria completo sem ir à janela refilar com os pombos, alimentar a minha mendicante gata que apesar de ter a taça cheia continua a miar por mais e, por fim, ler os pasquins desportivos online.

Ora, já que estava no computador e que a alternativa era a Eucaristia Dominical na TVI, fui até ao Facebook. E era aqui eu eu queria chegar.

Ah, gandas malucos! Então mais de meia centena de pessoas quer ver quatro horas e vinte minutos de pornografia em prime time na RTP1? Taradões! E ainda pensava eu que a tarada era a Tangerine. Senhoras e senhores, católicos, gentes de boas famílias, pais e mães de universitários, talhantes, carteiros e engenheiros, tudo uma vergonha.

E, seguindo as tendências da moda, hoje temos um texto do nosso autor convidado, o Joe Santos Rubio. Ele explica-nos, em detalhe, quais são as suas exigências para assistir a um filme pornográfico. Bem vindo, Joe!

Medinos

As minhas exigências para assistir a pornografia:
 
Têm de ser grátis, caso contrário mais vale ir ver um filme normal ao cinema. Pode também estar tudo peganhento mas há noventa por cento de probabilidade de ser apenas das pipocas alheias.

Não pode ter argumento, nem sequer aspirar a tal, de forma a não nos desconcentrar do nosso propósito. As cenas de ligação, sem acção perfurativa, não devem demorar mais de um minuto de molde a nos mantermos arrebitados.

Os intervenientes devem estar completamente despidos. Isto inclui máscaras, roupa de cabedal, Lycra ou látex, meias, sapatos, joalharia e fitinhas do Nosso Senhor do Bonfim. Para ver pessoas vestidas vou à rua e seminuas vou à praia.

Os artistas masculinos nunca deverão usar preservativo pois para cenas deprimentes já nos basta a vida real.

As artistas devem ser atraentes, ter seios verdadeiros e esforçarem-se por parecer que não estão a fazer um grande frete.
Lamber objectos inanimados não é permitido mesmo os que supostamente foram desenhados para o efeito.

As cenas não devem envolver mais de duas personagens, uma das quais tem de obrigatoriamente ser do sexo feminino e, de preferência, não ser um animal doméstico. Isto não invalida que, de uma forma metafórica, vacas, cabras e porcas sejam sempre muitíssimo apreciadas, mais ainda quando se dá o feliz fenómeno do 3 em 1.

Urinadelas e outras descargas poluentes afins estão completamente fora de questão mesmo que na capa do DVD jurem a pé juntos que se trata de uma “ejaculação feminina” genuína e que o adubo é biodegradável e bom para a saúde.

O som é muito importante e não deve estar desfasado da imagem. A música de fundo ou os efeitos especiais sonoros não podem em circunstância alguma sobrepor-se à gritaria selvática natural do êxtase.

A imagem deve ter uma definição razoável (nada de coisas pixaladas), as cenas devem estar super bem iluminadas e os close ups não devem perfazer mais de 20% do total das imagens. Para ver coisas tremidas às escuras tenho o meu telescópio e os meus vizinhos.

Os intervenientes devem ter um mínimo de pêlo. Para ver pessoas glabras ia de voluntário para o IPO.

A língua utilizada deverá ser a dos próprios, embora não diga que não a umas frases, aqui e ali, em espanhol (europeu).

Pessoas de boca cheia não devem falar. É falta de educação.



12 comentários:

  1. Não tem piada...cheio de lugares comuns e piadas que já foram feitas quando ainda se usava fita magnética.

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    1. Anónimo, bem vindo. Aceitamos textos de quase qualquer autor. E críticas também, claro. :)
      Envia-nos qualquer coisa (por mensagem) para ser publicado se assim o desejares para http://www.facebook.com/MedinoseTangerine.

      Abraço.

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    2. Estou a escrever algo nos intervalos da fábrica. É sobre uma situação que vi num café. Posso por um excerto:

      - Sr. Barão, onde é que ´tá o jornal?
      - Está ali, naquela mesa, com aquele rapaz de côr.

      “Foda-se”, pensei eu “Será o rapaz vermelho?”. Quando olhei, reparei que era preto. “Sr. Barão, preto é ausência de côr.”

      Resignado, voltei para o balcão. Dei um trago no cálice e depois no café, esperando pelo ardor no estômago para reiniciar o ciclo. Entretanto, entreti-me a observar o rapaz.

      Reparei que o rapaz era especial. Vi-o pegar num guardanapo e levantar-se até ao balcão, com a boca cagada:

      - Oh, psiu…garçon!

      - Quem? Mais respeitinho oh jovem – diz o senhor barão por entre os pêlos do se farto bigode. – Diga lá.

      - É que eu vivi durante alguns meses em França a apanhar morangos e estava alojado numa das melhores familias francesas da região. Era kuduro e garrafas de champagne antes de adormecer, e lá toda gente chamava os empregados por “Garçon”. Quero uma caneta. Silteplé.


      Isto é publicado?

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    3. Isso é puro material "Ródri" que, embora me surpreenda muito, está em 2º lugar de popularidade. Envia o restante para o Face. :)

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    4. Eu não tenho face. Uso uma máscara para não chocar terceiros. Acidente de trabalho.

      Não há um email para onde possa enviar?

      Abraço

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    5. Para esses problemas temos um braço direito que nos trata dos mails. Espera...o braço está de baixa por não ter recebido o subsídio de Natal por inteiro. Podes enviar para A Mão Direita: amaodrt@gmail.com

      É um mail válido, não te preocupes.

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    6. Obrigado.

      A stranger in the tub. Só porque sou canhoto.

      Enviarei assim que terminar a descrição deste acontecimento chocante que presenciei.

      Abraço muito apertado.

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  2. Nunca será apertado o suficiente para estes ossos ávidos de mariquice.

    Abraço. :)

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  3. Peço imensa desculpa,oh PP! Mas não podes publicar esse texto. Isso remonta à vida de um importante membro do hattrick e como tal, tendes de lhe pedir autorização!

    Enquanto o RRodri não vier aqui exprimir autorização para publicares essa história, será alvo de demérito!

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    1. Grande Tomás

      Aprecio-te muito. :)

      O problema com o teu comentário é apenas um. O RRodri já não é um membro dessa grandiosa comunidade. Ele abandonou e nunca mais voltou.

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  4. Não o consegues contactar? É que é imperial conseguir essa autorização, porque odiava que um sujeito como tu, magistral, perdesse esta hipotese magnanima de continuar o legado do RRodri.

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    1. A utilização de léxico forçado sempre me impediu de distinguir entre a ironia e a seriedade.

      Não creio conseguir contacta-lo, a única forma é cruzar-me com ele no café onde aconteceu tudo.

      Abraço

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