Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Um Bom Rapaz

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Um Bom Rapaz é mais um texto do nosso autor convidado mais novo e produtivo, o Tom.

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Gato por Galo

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Conta-se que, homens adultos, peludos e musculados, choram que nem a Pipi das Meias Altas agarrados a garrafas de Sagres meio vazias. Os gajos da bola lá perderam com a Espanha mesmo tendo jogado com um ponta-de-lança turco durante mais de uma hora.
 
Só tenho uma palavra para isso: mariquinhas. 

Outro mariquinhas é o Bruno Alves, outrora conhecido pelo seu empenho em destruir adversários com gestos de artes marciais não sancionados,  hoje tremia na marcação das grandes penalidades como se estivesse num casting dos Ídolos.

Mas tamanho não é tudo, e o Moutinho hoje foi Moutão, João Moutão. Pena seja que nunca tenho tido muito jeito para enfiar bolas no caldeirão. Certamente que se lembrou dos seus tempos passados em Alvalade e lá enviou a bola para as mãos do seu colega de profissão espanhol.

Foi divertido e quase que me emocionou. Quase. Nestas coisas de bola sou muito conservador e só o Benfica me entusiasma. Pelo menos na pré-época. Claro que no final do campeonato já sei que o título vai para a terra da tripa enfarinhada e das francesinhas. 

Francesinhas, brasileirinhas e checas. 

Há quem diga que foi galo. Foi galo, sim. Haverá quem diga também que aqui há gato e que o árbitro estava comprado. Pois, não sei.

Sei somente que, amanhã, acaba o período de idiota exaltação ao patriotismo e de esquecimento da crise. Por muito confortável que seja, esquecer os problemas nunca foi a melhor forma de os resolver. 

E, dificilmente, me lembro de um problema maior do que o do país em que vivo. Porque é o meu e porque não queria mudar. E porque pontapés na bola não me alegram. Nem quando ganhamos.

A não ser que seja o Benfica mas esse já se sabe que fica atrás dos azuis. Mas aí há gato.

Manual do Benzocas

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Até à tenra idade dos dezoito anos, fui malfadado com amigdalites, laringites e afins. Com a maioridade essas maleitas nunca mais me atingiram. Para isso terá contribuído a leitura do grimório de São Cipriano e as várias rezas e sacrifícios animais que realizei no cemitério dos Prazeres. Ainda me lembro daquelas noites mágicas debaixo dos ciprestes e dos raios multicoloridos de luz enquanto recitava, conjurava e enfeitiçava. Era magia. Ou então era a proximidade com o Casal Ventoso e as drogas que por lá alegremente pululavam.

No entanto, nunca mais tive nada a não ser umas dores de garganta ocasionais. Hoje em dia, adulto responsável e agnóstico praticante, deixei-me de rezas. Sobra-me a benzocaína que dá muito menos trabalho que ler o verdadeiro Capa Preta ou Capa de Ferro. De igual modo, deixei-me de meias laranjas e passei a laranjas inteiras como medida de prevenção.

Dizem que homem prevenido vale por dois mas um homem travestido vale por três: o que ele é, o que quer que os outros pensem que ele é e o que ele pensa que é. Dentro destes travestis, temos os benzocas.

Um benzoca não é uma pessoa de bem. É diferente. Um benzoca é alguém que graças a adornos e comportamentos copiados quer parecer algo que não é. É algo como um cromado (explicação do que é um cromado na Intolerável Pobreza do Ser).

Gosto deles. Tenho um lusitano prazer em ver o ridículo dos outros para com escárnio tornar a minha vida mais divertida. Coisas de gaja. Sou muito feminino. E, por gostar tanto, os seguintes pontos facilitarão a tarefa de qualquer um ou uma que queira ser benzocas. Os conselhos são gratuitos e ficam bem a qualquer mesa, baptizado, trabalho ou centro comercial.


Utilizarei uma linguagem cuidada e clara para todos perceberem a descrição e como atingir o aspecto dum benzocas. Comecemos pelo cabelo. É simples. É um cabelo à foda-se. Viram? Linguagem cuidada e clara. Todos perceberam.

Sem pelos faciais, a não ser que use uma barba rala, e com o cabelo à foda-se, chegamos à zona do pescoço devidamente ornada com um fio de ouro, dos baratos, e uma cruz. O benzocas dirá que foi uma prenda dos avós pela altura do seu baptizado na quinta que tinham em Coimbra. Mentira. Foi comprado numa feira do artesanato há dois anos e nem sequer é ouro verdadeiro.

A cruz. O benzocas afirma a sua religiosidade a plenos pulmões. Permite-lhe transmitir a ideia que pertence a uma família conservadora, clássica e antiga. Na verdade, as suas crenças são os jogos de futebol que passam em canal aberto e de religião percebe zero. Mas fica bem e dá ar de beto como defender as touradas e o "nosso" Alentejo.

Ainda pelo pescoço, temos o colarinho. Um benzocas usa camisa. Ponto assente. E não lhe chama camisa, chama-lhe “este camiseiro”. Convém ser às riscas, como um toldo de praia e ter uma marca visível. Gant, Burberrys e outras marcas populares na feira dos ciganos, resultam bem. Para a noite, temos uma camisola com um ar marítimo embora o único barco que ele frequentou tenha sido um cacilheiro. Um casaquinho de cabedal, castanho claro, comprado por uma pechincha em Ceuta, também é um bom adereço.

Relógio. Sempre. Um benzocas não usa relógio para ver as horas porque para isso tem o telemóvel. O benzocas usa o relógio para fazer companhia à fitinha de Nossa Senhora que tem atada no pulso. A fitinha é essencial. É hiper-bem. E, se quisermos aparolar ainda mais, usamos o relógio no pulso direito apesar de todos os relógios serem construídos de forma a usarem-se no esquerdo. A fita ajuda ainda a reforçar a ideia do catolicismo nem que aquela merda lhe tenha sido vendida por um guineense muçulmano.

Calças. Denominadas no vocabulário benzocas por "esta calça". Aqui podemos variar. Tempos houve em que as pinças eram essenciais mas até o benzocas se anda a modernizar. E isto porque a Zara e a Pull & Bear não vendem calças de ganga com pinças. O benzocas gosta de dizer: “Eu até era para comprar umas Levi's mas, muito francamente, não ligo a marcas.”. Yeah, right...e as camisas dos ciganos?

Os sapatos obrigam a algum investimento mas existem baratuchos nos outlet. Mocassins, sapatos de pala ou berloques são boas escolhas.

O benzocas nunca teve uma verdadeira educação, na realidade. Os pais eram parolitos mas boas pessoas, ele é parolito mas convencido. Trata as mulheres por “minha querida” e os pais por você. Se tiver crianças, o tratamento será igual para o seu José Maria ou para o seu Tomás. Numa vã tentativa de parecer queque, rapidamente inventa diminutivos para toda a famelga. A Tatá, a Nanocas, o Kiko, o Micha e a velha amiga da família, a Mena que trabalha como escriturária na Segurança Social.

Todos os seus gestos são feitos de forma a mostrar o relógio, a marca da camisa e o fiozinho de ouro. Mordiscar o fio, colocar a mão no queixo com um ar pensativo (como os basofes fazem) e a mostrar o relógio ou cruzar a perna com a ponta do pé bem empinada são atitudes normais.

No género feminino, não existem grandes diferenças. A escolha da roupa é mais diversificada mas o cabelo com ar de nunca ter visto um cabeleireiro é essencial nas mais novas. Dá um ar inteligente e de pouca futilidade. Nas mais velhas, reinam as extensões, unhas de gel , branqueamentos dentários e silicone. Nessa idade já não interessa o ar de santa e tem-se mesmo que optar pelo ar de puta para enganar outro benzocas ou, com sorte, um que seja mesmo dos ditos de bem. Nunca esquecer os ocasionais mocassins e os jeans da Salsa para as alturas mais informais. Ou, caso ainda desconheçam o poder do mocassim, o sapatinho de salto alto com calças de ganga. A bota não joga, literalmente, com a perdigota mas elas acham que sim.

O benzoca é arrogante. Acha-se mais esperto que os restantes. Conduz, de preferência, um automóvel de gama média que não estará pago nem no dia da sua morte e alimenta-se de sandocas que a sua santa mãe lhe vai preparando.

Mas, melhor do que isto tudo, é o cabelo à foda-se. Isso sim, é a verdadeira benzocaína.







Cosmo Pacheco, Parte 2

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Tal como prometido, o nosso autor convidado Bruno Nogueira regressa com a segunda parte da história do maior actor pornográfico português: Cosmo Pacheco.
Para quem perdeu a primeira parte, aqui está ela fresca e lubrificada.

 
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Acordo Ortográfico da Tanga

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Em qualquer argumentação, o raciocínio válido é necessário para uma exposição honesta dos nossos pontos de vista e sem argumentos que falhem em provar o que alegam ou que provem algo descabido. A esta última prova, a aparente prova de algo errado, chama-se um engano propositado.

Este tipo de engano é usado pelas mais diversas pessoas na nossa vida incluindo ascendentes, descendentes, amantes e governantes. É a vulga tanga. Não a tanga que o actual presidente da Comissão Europeia dizia que o nosso país envergava mas as tangas com que nos alimentam diariamente. Argumentos logicamente inconsistentes mas colocados de forma hábil para, propositada e criminalmente, enganarem os mais incautos.

Considerar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa como um passo em frente no projecto de unificação ortográfica da Língua Portuguesa como fundamento da unidade da lusofonia é uma tanga.

Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor Leste utilizam a grafia portuguesa. O Brasil não. Unificação significa tornar uno ou reunir várias partes num só. Primeira premissa: há mais países a utilizarem a grafia portuguesa. Segunda premissa: somente o Brasil utiliza uma grafia diferente. Terceira premissa: unificar significa tornar a grafia comum a todos. Logo, quem tem que mudar é o Brasil. Silogismo sem falácias políticas.

Segunda tanga: desaparecem o "c" e o "p" nas palavras onde não se lêem (são mudos). Ao contrário do que os brasileiros possam pensar, escrever ou falar, em grande parte dos casos estas consoantes são lidas. Recessão não se lê da mesma forma que recepção, por exemplo. Se adoptarmos a grafia brasileira e escrevermos “receção”, estamos simplesmente a regredir. Ou seja, se as consoantes não são mudas porque alteram a sílaba tónica não podem ser omitidas.

Terceira tanga: Deixa de ter acento diferencial a forma verbal de «para». Alto e pára o baile! Também vão argumentar que o acento é mudo?

Obviamente que, entre tantas medidas brilhantes, o uso do “h” teria que ser uma das alterações. A humidade passa a ser umidade, por exemplo. Curiosamente, o verbo em que os portugueses mais erram, o verbo haver, mantém o “h” embora perca o hífen nas formas monossilábicas como “hás-de” que passa a “hás de”. Felizmente, não passa a “hades”. Se a padronização do erro é um dos objectivos deste acordo, também o verbo haver deveria perder o “h”. Não existe asneira mais vulgar do que o uso de “á” em vez de “há”. Assim, todos nós, portugueses verdadeiros e portugueses iletrados de bandeira da selecção à janela, teremos a faculdade de escrever correctamente.

No que diz respeito à correcção e bons costumes, ninguém hesitou em referendar a lei da interrupção voluntária da gravidez. Muito francamente, é um pouco absurdo que homens e mulheres que por qualquer razão não possam ter filhos, tenham votado. Não lhes dizia respeito mas votaram e a lei passou. Ainda bem. A língua portuguesa diz respeito a todos nós. Um referendo impõe-se.

E tenho a certeza absoluta do resultado das votações se os portugueses de Fátima e do futebol não estiverem ocupados a ver um jogo de futebol na tasca mais próxima.

Consulado Português

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Ha uma coisa que temos de admirar. E que Portugal ao menos e um pais coerente, e se funciona mal dentro dele mesmo, tambem ha-de funcionar mal fora dele.

A minha mala foi roubada quase um mes atras. Fui a embaixada para fazer a minha identificacao, ou melhor, o meu cu e disseram-me logo que essas coisas tem de ser no consulado!! Seja feita a vossa vontade.

Chego ao consulado e na recepcao dizem-me que tenho de fazer uma marcacao, mas que so a posso fazer por email. Contestei, mas como tinha 50 pessoas a minha frente a contestar qualquer coisa, e eu tinha de ir trabalhar, desisti da contestacao e enviei o tal email com os detalhes que eles pediam e mais o numero da queixa crime indicando que nao tenho comigo RIGOROSAMENTE nada que me possa servir de identificacao. Esta foi a resposta passado 8 dias do meu primeiro email enviado, visto que entretanto ja tinha enviado outro de reforco:


Exmo(a). Senhor(a),
                     
Com referência ao seu e-mail o Consulado Geral vem por este pedir a V. Exa. que informe se está disponível para uma marcação para Setembro ou se tem urgência e pretende emissão urgente do documento pelo valor de £39.16 em que as marcações estão para as próximas semanas. Informe se aceita as condições de pagamento ou se pretende marcação para Setembro.

Assunto: Cartão de Cidadão para Melina Sofia da Silva Antunes



Com os melhores cumprimentos,
O Consulado Geral de Portugal em Londres
JMS




Primeiro nao ha pedido de desculpas por atraso de resposta.
Nao consigo descrever por palavras o quanto esta parte "se esta disponivel para uma marcacao em Setembro OU (adoro o negrito) se tem urgencia e pretende emissao urgente do documento pelo valor de £39.16" me faz rir de nervoso...nao meus caros, eu tenho urgencia mas posso esperar ate Setembro para ser enrabada pelo CU!!!!!!!!!! Tudo bem...ja agora, so uma questao...e legal andar pelas ruas do mundo sem uma identificacao???? E que eu tinha aquela estranha sensacao que posso ser presa por isso! Mas pode ser que seja impressao minha. Ah, claro, sem identificacao estou basicamente presa em Londres...mais presa menos presa nao havera grande diferenca....pior e se eu tenho de ir a Portugal por alguma razao de forca maior. Quero ver como e que faco, vou a nado? Vou num contentor de um camiao??
A minha maior questao e: quem e que se responsabiliza por mim caso me aconteca alguma coisa e eu nao tenha como me identificar?? Como e que e possivel que eu tenha de pagar para ser portuguesa??????????????????????? Se nao houvesse a questao do pagamento de urgencia, se eu tivesse de pagar sempre pelo cartao eu nao estaria tao revoltada...mas esta questao da urgencia faz-me querer deixar para sempre a minha identidade entregue as maos de um estranho!



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Não, não e não.

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Hey teacher leave those kids alone.

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Duas coisas.

1. Estou de ressaca, mas e a minha primeira ressaca desde que cheguei. Ate estou a portar-me bem...por obrigacao acho!!!
2. aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...havia uma segunda mas nao me lembro.

Nenhum governo devia de decidir acima das decisoes pessoais de cada um. Os governos servem para governar, um governo nao e a minha mae.

No meu tempo a escola funcionava bem. Sempre fui boa menina e so comecei a faltar as aulas quando descobri o poder do sexo. Faltava para ir fazer amor. O que a meu ver e uma belissima e maravilhosa razao. E como era novidade nao faltava a uma aula faltava o dia inteiro.

5x79 euros. Uaaaauuuu, saia caro!!!

Nao entendo mesmo essa questao da multa de cada vez que se falta a uma aula. Qual foi o argumento? Progresso? Arranjar mais uns trocos porque eles ate sao pobrezinhos? Se um aluno nao quer estar na escola que nao esteja. O sistema escolar e uma merda. Uma merda. Porque e que em vez de fazerem os pais que ja nao tem muito dinheiro pagar multas (estou a comecar a aquecer) nao investem em formas de motivar os alunos a ficar numa aula? Que "irritancia", e sempre pela maneira mais facil. ODEIO ESTE GOVERNO, ODEIO OS GOVERNOS. ODEIO POLITICOS, SAO TODOS UNS FILHOS DA PUTA.

Quando um governo falha sistematicamente com os seus deveres e retira direitos que moral tem para dizer o que deve ser ou nao feito e ainda para mais com multas! Sera que ninguem no mundo aprende com a Historia? Serei uma das afortunadas pessoas a entender que temos de ter liberdade de escolha. Se um aluno nao quer ir a aula de fisico-quimica porque a professora e uma gaja com favoritismo que em vez de despender do tempo que tem a mais para ajudar alunos com dificuldades prefere falar do fim-de-semana com a filha no centro comercial, (oops muito pessoal esta) e prefere ir jogar basket e perder o ano, entao que assim seja. Seja feita a sua vontade!!

Continuamos a ser o sistema que diz "nao tires" em vez de ensinar a dar.

O que acontece aos pais que se recusarem a pagar?

E ridiculo!!! Nao gosto.

Hey! Minister! Leave Them Parents Alone!

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Não sou um seguidor, nem um imitador do Robert Pattinson ou do George Clooney. Isto reduz, drasticamente, a minha popularidade entre o sexo oposto compreendido entre os 15 e os 60 anos mas tem vantagens. E não me refiro a depravações como necrofilia, pedofilia e afins.

Uma delas é poder dizer disparates pouco consensuais como eu gostar deste governo que temos sem medo de me tornar impopular. Gosto dele. Gosto dele por oposição às alternativas. Gosto por comparação com outros governos. Mas, como qualquer bom português, não gosto que me venham aos bolsos praticar surripianços ao abrigo de leis descabidas

Aparentemente, os pais dos alunos que faltem às aulas podem ser punidos com multas até aos 79 euros. Acho muito bem, dirão esses moralistas do costume nas suas reflexões escatológicas. Aliás, para esse tipo de pessoas, reflectir significa somente aparecer nos espelhos. Mas nos espelhos dos vizinhos porque na casa deles isso não existe. Nem reflexos nem reflexões. Um deserto como diria o Mário Lino.

Mas, eu não acho nada bem. Aliás, acho muito mal. Dou um exemplo que me é próximo por há muitos anos atrás a mãe ser um pedaço de pecado. O rapazito está proibido por escrito, três vezes, de sair do recinto escolar durante o período de aulas havendo ou não professores para as ministrarem. Geralmente não há mas acho que esses ilustres educadores não são multados. Nem os pais deles. No entanto, sai e entra à vontade com os mais diversos porteiros que a escola tem. Afinal para que serve a proibição de sair? Para nada.

Estabelecido isto, passamos à segunda parte. As faltas do dito estudante nunca foram na primeira aula. Significa isto que, após assistir à primeira aula ou às primeiras conforme a vontade e os aliciamentos, o rapaz lembrou-se de se baldar. Normal. Não é louvável mas é normal. Por outro lado, significa também que saiu da escola dentro do período em que estava expressamente proibido de o fazer e com a devida comunicação escrita e falada para a escola, três vezes. Significa também que saiu com a permissão dum funcionário da escola que está mais interessado em que chegue a hora de ir beber a bica com as colegas e fumar o seu Chesterfield do que prestar atenção a um trabalho tão complicado como olhar para a filha da puta duma porta onde só consegue passar uma pessoa de cada vez.

Segundo a nova lei, o pai do dito estudante irá mamar, e o verbo é mesmo mamar, com uma multa de 79 euros por culpa da escola. Então e que tal processar a escola por mais um ano que o aluno vai estar a repetir por óbvia ineficácia dos docentes e respectivos comparsas? E, tudo isto, com os custos inerentes para os pais e evidente desmotivação para o aluno.

De tempos em tempos, surge uma nova lenga-lenga para desculpar a mediocridade. Cumprir, em Portugal, significa atingir os requisitos mínimos enquanto alguém está a olhar. Depois, nem isso. Excederem-se? Brio? Isso é para os parvos.

A nova lenga-lenga é a de que os pais é que são responsáveis pela educação dos filhos. Sem dúvida. De acordo. Mas, não são responsáveis pelas crianças que estão dentro da escola. Isso é uma responsabilidade da escola. E, os funcionários escolares, incluindo professores, escusam de vir argumentar com a falta de educação das crianças como um entrave para realizarem o seu trabalho. Aguentem-se e mamem a bucha. Hoje estou com o mamar na boca. Quem trabalha em hotelaria atura muito pior e não os vêem a dizer: Pois, eu até serviria um bitoque melhor mas o cliente não me pediu por favor. Não dizem porque mal aparecessem resultados negativos iriam para a rua.

De reparar que estas multas também se podem traduzir em trabalho comunitário. Hilariante. O seu puto faltou à escola por isso vá lá aparar a sebe do quartel dos bombeiros. Espera aí que já lá vou.

Além do mais, que eu saiba, quem pode atribuir multas são os tribunais. Neste caso, o tribunal de menores. Nunca me passaria pela cabeça estar um dia com a professora de matemática a bater-me à porta porque o meu puto faltou à aula sobre equações do segundo grau e eu teria que largar quatro notas de vinte ou, em alternativa, ir lavar o carro do senhor director durante um mês.

A acrescentar a todo este disparate, a persistência nas faltas resulta numa "comunicação à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens ou ao Ministério Público tendo em vista, por exemplo, programas de educação parental".

Sim senhor. Multam-se os pais por não saberem educar os filhos a não faltar à escola. De seguida, mandam-se os pais para essa mesma escola para aprenderem como ensinar os filhos a não faltar.

Ouçam lá, ó gajinhos do Ministério da Educação, mas o que é que vocês andam a meter? Tinha ideia que o pessoal da ganza era o do Bloco de Esquerda.


Ao calor da chuva

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Mais um texto do nosso autor convidado mas que já conhece bem a casa, o Tom.
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Geek Love

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Águas Passadas

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Sou um coleccionador fervoroso de provérbios. Adoro-os. Pequenos, grandes, rudes, finos, do Norte ao Sul e com uma lasciva roçadela pelo Centro.

Gosto da sua sabedoria e da sua ignorância. Gosto dos que não servem para nada e dos outros. Gosto da opinião popular injectada em veias seculares de senso comum e ditados jocosos em embolias cerebrais. Gosto dos acidentes cardiovasculares dos ditados de paixão e amor. Disso tudo, eu gosto.

E, no entanto, há um que, à primeira vista estaria certo mas é o maior exemplo da estupidez perpetuada e de correcção aferida não pelo conteúdo mas pela repetição. Diz-se que águas passadas não movem moinhos.

Em tempos modernos, poder-se-ia dizer que ventos passados não movem aerodínamos. Só por esta frase, acho que já mereço uma atenção dos chineses que, de há uns tempos para cá, iluminam o  país onde nasci. Não o meu país mas o local onde um dia, sem reis magos, fui parido. E, é certo que me continuo a mover.

Quod erat demonstrandum, sempre quis escrever isto, um acontecimento passado continua a ter influência no presente. Na realidade, a melhor forma que dispomos para abdicar do futuro, é esquecer o passado. Não existe nada tão deletério para o porvir como apagar o que foi. 

Além de que, convenhamos, é um acto duma cobardia imensa e que nada ou ninguém serve.
Ignorar o que foi, passar uma borracha, é justamente isso. Sujar a folha com uma tentativa desajeitada de apagar o argumento inicial e começar a história mais à frente. Mas, mais à frente não faz sentido. Faltam-lhe os episódios anteriores por muito mal imaginados, doentios ou cruéis que o seu autor os tenha criado.

Águas passadas movem moinhos.

E, quando a galinha grão a grão enche o papo, também come uns grãos de areia pelo caminho. Ao apagar as bicadelas em que levou a areia, iria apagar também as outras que a ensinaram a bicar o alimento. A encher o papo em marés de milho pelo alegre cacarejante esófago.

E, sabem o que dizem, há mais marés do que marinheiros. Mas quando passa uma onda, a maré não deixa de existir. Nem tu deixaste de navegar ou passaste a ser melhor marinheiro só porque quiseste esquecer um dia de tempestade.

Chega de meter água.

Águas passadas movem moinhos.


NO ID

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Ola a todos.

Vou apresentar um balanco das quase duas semanas em terras de sua majestade que por esta altura deu aos ingleses um fim-de-semana prolongado...diamond jubilee...ao que parece sao 60 a comer a conta das taxas impostas!!!

Cheguei numa terca-feira, fui ate a casa onde estive a viver e recebi milhentos abracos. Foi bonito. Infelizmente as coisas nem sempre mudam para melhor, e viver entre 21 pessoas debaixo do mesmo tecto deixou de ter a mesma beleza quando uma pessoa decidiu fazer um drama mexicano do nada!!! Claro que nada tem a ver comigo, mas decidi que afinal, nao vou voltar para la...estou neste momento hospedada em casa de um casal amigo que sao muito mais simples e gostam de manter as coisas num ambiente relaxado e sem complicacoes.
Nesse mesmo dia encontrei-me com eles e com o meu melhor amigo que tambem e portugues de nascenca mas nao de cabeca! Foi bom. Cervejas no Hyde Park com um sol maravilhoso a dar as boas vindas.

Na quinta-feira ja estava a trabalhar, o que contrasta bem com o que se passa em Portugal, 3 meses em terras lusas e o melhor que consegui foi um trabalho numa companhia de telecomunicacoes que e gigante e internacional, mas como qualquer empresa que entra em Portugal e e gerida por portugueses acaba por ficar doente e cancerosa (!!!). Aterrei numa equipa de pessoas xenofobas, racistas, onde o prato do dia e o futebol e claro, os reality shows....amazing!! A minha equipa por aqui e feita de pessoas cheias de sonhos, que veem dos 4 cantos do mundo e sao apaixonadas pela vida mesmo nos dias de chuva e vento que nos vira os chapeus de chuva e o humor ao contrario.
Nao tenho passado muito tempo com as pessoas que tenho por aqui porque faco turnos duplos (double shifts) o que equivale a mais de 14 horas de trabalho, que passam a correr.

Este sabado roubaram-me a mochila com tudo o que tinha la dentro, contrariamente as expectativas nao chorei, nao gritei, nao fiquei stressada. Respirei fundo, andei a chuva a ver se alguem teria deixado a mochila algures depois de tirarem aquilo que queriam mas sem qualquer sucesso, reportei a policia e agora estou incognita e anonima a aguardar. Devido as festividades as coisas sao estarao a funcionar normalmente na quarta-feira. Estou ansiosa para ver como e que a embaixada portuguesa vai tratar da minha situacao, visto que nao tenho rigorosamente nada que me possa identificar!

Ontem vim ter com mais amigos para os lados de Stanford Hill, East London. Deram-me beijinhos, comida, cigarros e gin tonico, estivemos a ver filmes e a rir, a dormir abracados. A minha rapariga favorita tirou fotos as minhas mamas e ao meu rabo e agradeceu. Eles sao todos artistas e eu adoro-os e eles adoram-me porque brincamos juntos...parece meio infantil...ontem pintamos tambem um quadro enorme e fizemos colagens...mais infantil ainda??? Eu diria que as pessoas deixaram de saber o que realmente lhes sabe bem...nos por aqui somos uns afortunados!

Sinto-me em casa.

Vi o meu amor. Esperei quebrar o feitico mas o efeito foi o contrario. O abraco passou a ser o nosso cumprimento, a cara esta muito perto da boca e o aperto de mao faz pouco sentido para duas pessoas que ja estiveram dentro do mesmo mundo e dentro uma da outra!

Chove la fora, e faz frio. Aqui cheira a cigarros e a cha de lavanda. Em mim esta um calor inexplicavel, 40 graus de minima nao sei quanto de maxima!

PS. Medinos, o blog parece uma coisa de adultos assexuados, o que se passou?

Cosmo Pacheco, Parte 1

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 Directamente para o Medinos e Tangerine, a história do outrora famoso Cosmo Pacheco. Redigida pelo nosso autor convidado, Bruno Nogueira. Aplausos porque o Cosmo gosta.
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