Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

O Diário de Ródri - Parte I

+ 11 comentários
O texto de hoje é dedicado a uma comunidade muito especial, os hattrickianos. Conforme prometido e anunciado, vamos ter o RRodri, mais conhecido por Unidos a fazer a sua estreia por aqui. Juntem as mãos, e não é para lhe bater, num grande aplauso.


Demagogia no café

Querido diário, até dia 19 de Maio de 2012, nunca soube o poder da demagogia, apesar de ser um excelente comunicador.
Sou como o Manuel Luís Goucha, a única diferença é que não me masturbo a pensar em homens.

Acordei e fui ao café. Gosto de ler os jornais desportivos enquanto bebo um néctar de pêssego e dou umas trincas num pão com manteiga.

Sentei-me na mesa do costume.

Na mesa ao lado, com os seus óculos “fundo de garrafa”, estava sentado o Guilherme, meu ex-professor de Educação Física, no Ensino Secundário.

Fingi que não o vi. O Guilherme já foi professor na Casa Pia. Nunca lhe passei grande confiança.

O professor chamou-me.
- Ródri, então? Não me viste? Como estás? Senta-te aqui ao meu lado.

Limpei os lábios com um guardanapo em que estava escrito: “Bem-vindo”. À frente de “Bem-vindo” escrevi “Ródri”. Gosto de me sentir importante e é a única oportunidade que tenho.

Peguei no néctar de pêssego e no pão com manteiga e sentei-me ao lado do professor.

- Olá, estou bem.

- Que é feito de ti, Ródri? Foste para a Universidade?

- Sim.

- Então, e gajas ?
(Fiquei algo surpreso com esta sua pergunta, porque ele, quando trabalhava na Casa Pia, adorava brincar com meninos. Mas as pessoas mudam, e o professor Guilherme não foge à regra).

Respondi:
- São boas.

- Que curso frequentas?

- Jornalismo.

A sua resposta foi célere e comum, nos dias de hoje.
- Hmm, acho que foi um erro. Deverias ter escolhido um curso com maior taxa de empregabilidade. Jornalismo está complicado, nesta altura. Já pensaste que vais terminar o curso e acabar desempregado? É esse o rumo que queres dar à tua vida? Se fosse a ti desistia.

Por momentos ambicionei ser como o Anders Breivik: assassinar o Guilherme, sair do café a rir e, em pleno julgamento, dizer que matei o meu ex-professor em legítima defesa (e, no fundo, esta justificação até teria um fundo de verdade).

Fiquei deprimido, cabisbaixo e pesaroso.

Em sentido figurado posso dizer que o professor “pisou” os meus sonhos e, depois, recuou e passou por cima deles novamente.

Momentos depois, recomposto do “choque”, optei pela demagogia e afrontei o professor.

- Professor, a morte é certa. Mesmo assim, salvo raras excepções, ninguém desiste de viver.
Nesse caso, porque iria eu desistir do meu sonho?

Que coerência é a sua?

Você sabe que um dia irá morrer. Essa é a maior certeza que tem na vida. E que tal ir andar de teleférico para o Parque das Nações, partir o vidro e atirar-se lá de cima?
Assim desiste já de viver. Adianta já o trabalho.

Eu desisto do curso, porque é certo que vá parar ao desemprego e você desiste de viver, porque a morte é certa. Combinado?

Haja coerência, se faz favor!

O professor verteu uma lágrima.

Ficou pálido. Aborrecido. Envergonhado. Sem atitude.

Se ali tivesse um buraco, ele ter-se-ia enfiado lá dentro durante alguns meses.

Tal como os 33 mineiros que ficaram soterrados no Chile.

Mas esses esqueceram-se de levar comida, máscaras de oxigénio e gajas lá para baixo.

O professor vestiu o casaco de fato de treino e, talvez movido pelo sentimento de culpa, pagou o meu néctar e o pão com manteiga.

Deu-me um aperto de mão, desejou-me boa sorte e foi à sua vida.

O professor nunca esquecerá a lição de vida que lhe dei.

Por hoje é tudo, o Capítulo 2 está para breve. Dorme bem, querido diário.

Illhas Fiji, 19 de Maio de Maio de 2012.

11 comentários:

  1. Devo dizer que o texto me faz alguma comichão, nomeadamente nos momentos do genero:"Fingi que não o vi. O Guilherme já foi professor na Casa Pia. Nunca lhe passei grande confiança." ou "Sou como o Manuel Luís Goucha, a única diferença é que não me masturbo a pensar em homens. "

    Acho que um texto para ter um certo travo de crítica, não precisa de ser tão insultuoso ou pelo menos que seja tão pejurativo e tão óbvio. Isto é a minha opinião. E está um bocado insonso.

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  2. Desde quando é que insulto alguém no texto?

    1º Tu eras capaz de ser amigo de um pedófilo?

    2º Quando me referi ao Manuel Luis Goucha insultei alguém? Se ele gosta de homens, masturba-se a pensar em homens, se gosta de mulheres (como eu), masturba-se a pensar nas gajas boas que trabalham na TVI.

    Alguma vez me referi aos homossexuais com termos insultuosos?

    Eu próprio já fui a uma parada gay, e até gostei. Uma vez por ano estou lá, não falho.

    Olha, em 2013 vou ao Brasil, à parada gay, vai ser uma experiência engraçada. Tens aqui toda a informação (datas e etc), anda também : http://www.gazetamaringa.com.br/online/conteudo.phtml?tl=1&id=1257062&tit=Parada-Gay-2013-ja-tem-data-19-de-maio

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  3. Um amigo do meu pai foi professor de educação física na Casa Pia. Oh diabo, santificado seja o seu nome Mephisto! Será que quando era pequeno... Eu lembro-me de conviver com ele!

    Sendo um texto da tua autoria, a inclusão de um homem pedófilo é da tua escolha, portanto estás confortável com esse pensamento assumo.
    Não não era.

    A questão é o tom insultoso e jocoso que usas nada mais. Podes referir que dada pessoa é homossexual sem partir para uma figura pública com esse tipo de conotações.

    E acho que fazes bem, merecem todo o nosso apoio. Não posso viajar para o Brasil sozinho. É pena.

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  4. Tens o meu apoio nas tuas críticas, Tomás. Mas, aqui, a liberdade de expressão existe mesmo. Até quando, enfim, é usada de forma mais ou menos desajeitada. No entanto, mais do que a liberdade de publicar, é importante a liberdade de comentar. Usem e abusem dela! Não há captchas nem moderação. Discutir é evoluir.

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  5. A liberdade é usada por ele como quiser obviamente. Ao comentar também se dá mais emoção por estas paradas. :)

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  6. Tomás, desculpa o meu comentário ontem, mas não estava em perfeitas condições. lol

    Gostava muito que tu vivesses, pelo menos 3 dias, como se viveu antes do 25 de Abril de 1974.

    Ias querer ligar um isqueiro e não ias poder.

    Certamente não vinhas para aqui criticar-me dessa forma (ao menos criticaste de forma construtiva e louvo-te isso).

    De qualquer forma não me incomodo com as críticas. Colocaram o texto "escondido" e só o lê quem carregar em "Ler mais". É uma opção do leitor, e agradeço-te o facto de teres lido o texto. Abraço grande Tom.

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  7. Esse gajo deve ser o segundo maior bebedolas de sempre.

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  8. A verdade é que este texto é uma cópia dos textos da margarida rebelo pinto.Coisas como:

    "Gosto de ler os jornais desportivos enquanto bebo um néctar de pêssego e dou umas trincas num pão com manteiga."

    são de autores fracos, sem imaginação e com muita leitura cibernética e pouca ou nenhuma leitura de clássicos.

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    Respostas
    1. Ora aí está uma coisa que eu não sabia. Admito que nunca li mais do que duas ou três linhas isoladas da menina Margarida. Ah, RRodri...Margarida Rebelo Pinto? Que fonte tão foleira de plágio. :)

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    2. Não é bem plágio que eu queria dizer, mas é certamente o mesmo tipo de literatura.

      Já li dois, confesso, de férias no algarve.

      Coisas como:

      "Sentei-me na mesa do costume."

      "Limpei os lábios com um guardanapo em que estava escrito: “Bem-vindo”. À frente de “Bem-vindo” escrevi “Ródri”. Gosto de me sentir importante e é a única oportunidade que tenho."

      São o excipiente necessário para que uma ideia que se pode contar num parágrafo de três linhas possa ocupar uma página. Na minha opinião, não é bem plágio, é mais transformismo numa matiné de domingo.

      Mas anseio o próximo texto "Demagogia na Sauna".

      "Escolhi a toalha com riscas. Afinal sou do porto e as riscas verticais emagrecem"

      "Lá estava o carlos com os seus pelos do peito em formato de coração, fazem-me lembrar os vestidos da co-apresentadora do goucha, que por sinal é um homossexual, coisa que eu não sou."

      Mas a história resume-se toda a

      "Levei no cu numa sauna."

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    3. Estes é um dos casos em que já me ri muito mais (no bom e saudável sentido de rir) com os comentários do que com o próprio texto.

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