Nonsense consensual em forma de blogue.
Criado no dia 22 de Abril de 2012.

Diário Desalinhado I

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E, como não há fome que não dê em farturas ou churros, mais um autor convidado. Desta vez, um companheiro de copos e viagens cibernéticas há longos anos: João Madureira


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Conaculta

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A ausência de textos tem uma explicação. Até tem mais do que uma mas uma parece-me razoável nestes tempos de contenção.

Por falar nisso, Lagarde que disse aos gregos para pagarem os impostos e deixarem-se de merdas e que o que a preocupa são as criancinhas em África, pasme-se, não paga impostos. Aparentemente, goza de um estatuto de funcionária internacional e não paga impostos sobre os cerca de quatrocentos mil euros que aufere anualmente. Mas, aposto que deve doar uma boa quantia para putos subnutridos na Etiópia. Ética para ela, é grego.

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Ser ou Obedecer

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Bebi uma garrafa de vinho. Quando cheguei ao último copo, ao último golo, elevei o copo no ar e disse, com um sorriso: A ti!, pronunciando o teu nome de seguida.

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Facebook

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Nunca fui particularmente esperto. Nem perspicaz. Nem inteligente. Nem nada que implique o uso de algo acima do pescoço a não ser os olhos para ver os rabos e mamas que passam.

Sendo assim, vivo cheio de dúvidas. Sou o verdadeiro duvidoso. Ou enduvidado. Endividado também mas isso agora não interessa nada como diria aquela senhora que parece ter sido construída com duas partes de corpos diferentes.

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Jeremias, a Rã e os Robalos

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A Change of Heart

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João amava Maria. Perdidamente. Do fundo do coração.

João tinha problemas cardíacos e um dia a máquina pifou.

Correram para o hospital. Safou-se mas avisaram-no que teria que ser sujeito a um transplante o mais depressa possível.

João amava Maria. Perdidamente. Do fundo do coração.


Um dia telefonaram ao João. Tinham um coração para ele.

João foi operado. Já não tinha problemas cardíacos e iria viver até aos cem anos com um pouco de sorte.


João já não conhecia Maria. Tristemente. Do fundo do seu novo coração.

Saga de Belarmino

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Mais um texto de um autor convidado: o Cortez. Afinal, eles andavam com medo da Tangerine mas, a partir do momento que ela foi até Londres, os convidados apareceram. Ela não morde, não tenham medo. Bem, morde mas não nesse sentido. E arranha. E...bem esqueçam. Vamos ler o Cortez.
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A Tangerine já chegou a terras britânicas. Deixa a seguinte mensagem enquanto não regressa ao blogue:


Vou levar na mala a roupa, os telemóveis, o netbook, e na alma 3 meses de ensinamentos, de ternura, de tristeza. Deixo cá a saudade. Não a posso levar comigo outra vez. Ela pesa.
 Boa aventura, Tangerine. Beijos de todos.

O Diário de Ródri - Parte I

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O texto de hoje é dedicado a uma comunidade muito especial, os hattrickianos. Conforme prometido e anunciado, vamos ter o RRodri, mais conhecido por Unidos a fazer a sua estreia por aqui. Juntem as mãos, e não é para lhe bater, num grande aplauso.

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Bolotas de Ouro

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 Existe algo curiosamente reconfortante na desgraça alheia. Quando ajudamos as vítimas enobrece-nos o ego, quando as desprezamos regozijamos com os seus azares, e, quando nos são indiferentes, pensamos que a nossa vida nem é assim tão mázinha.

A desgraça pode assumir várias formas. Uma falência monetária, amorosa, física ou intelectual. E, de falidos intelectuais esteve ontem a gala das bolotas de ouro cheia.

Creio que estou a ser injusto. A falência pressupõe anterior posse que se perdeu entretanto. Aqueles sempre foram pobres intelectualmente. Vivem num estado de permanente miséria intelectual e os globos são o seu rendimento social de inserção.

Começamos pelos metros de alcatifa vermelha na Rua das Portas de Santo Antão. Dizia a boa da Andreia Rodrigues que não ficava a dever nada a Hollywood. Concordo. Em Los Angeles é difícil de descobrir uma boa bifana ou uma mini Sagres. Em Lisboa, a alcatifa está ladeada de marisqueiras e tascas que fazem as nossas delícias. E tremoços? Alguém viu tremoços em Hollywood? Não. É um exclusivo das nossas bolotas de ouro. Aliás, eu até propunha novas edições no mesmo local. O Camarão-de-Espinho de Ouro, o Tremoço de Ouro e porque não, o Courato de Ouro. É português, emblemático e contribui para o turismo.

O pessoal vai chegando. Ah e tal, este vestido é da Maria Papoila, os sapatos do Zé Maria e fui penteada por outra pessoa qualquer. Interessante. Ainda bem que não fui. Estas calças são da Zara e a t-shirt comprei na feira do Feijó. Acho que ia ficar mal para uma pessoa do meu estatuto. Estava convidado mas a Tangerine acabou por não querer ir à última da hora. Coisas de gaja. Nunca sabem o que querem. Desculpou-se que não tinha cuecas lavadas. Mas ninguém vai ver as tuas cuecas, argumentei. Ai não, o Nuno Lopes vai estar lá!, respondeu.

E esteve, de facto. Quem também esteve foi aquela gaja com nome de imposto a carregar dois litros de silicone e o puto que ela anda a desmamar. Sim, escrevo sobre o Angel-O, a reencarnação do Angélico. Quando sabotei a merda do BMW, pensei que já me tinha livrado do gajo para sempre. Mas não. Uma despe-se (deixem-me rir) para a Playboy e o outro reencarna e começa a namorar com a rapariga do imposto sobre o valor acrescentado. Estou fodido, ainda não é desta.

E a noite continua. Enquanto as personagens vão entrando, o Jorge Palma vai visitando todas as capelas circundantes que já referi anteriormente. Consta que nunca venderam tanto whisky nas Portas de Santo Antão. Isso veio a revelar-se mais tarde mas o fígado do Palma é mais ou menos como o BMW do Angélico: aquilo gasta para caraças e qualquer dia está feito num oito.

Não vou comentar os premiados à excepção de um: o rei Balsemão. O patrão da SIC recebeu um prémio da própria estação que criou este evento. Mérito e Excelência, foi o que os seus funcionários lhe reconheceram. Já sei que sou um pouco estúpido mas isto ainda me parece mais. Ó Xô Tôr, por quem sois! Tome lá uma bolota que é merecida! Que puta de azeitada. Faz-me lembrar os programas em que fazem entrevistas entre funcionários da estação.

Qualquer dia os nosso textos vão ser assim. Eu entrevisto a Tangerine e ela entrevista-me.

Até já tenho uma frase, como o Daniel Oliveira, para usar nos textos:

- Tangerine, o que dizem os teus dedos?






Mais Um Domingo

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Além daquele hábito irritante em que todas as respostas começam, hoje em dia, por não ainda temos o not so special one com uma publicidade no mínimo própria duma tasca que venda choco frito:
  • Quero ver os meus netinhos a fazer porcaria cá em casa, diz o treinador.
Está bem, Zé Mário. Se eu ganhasse o que tu ganhas, os meus netos até poderiam pintar as paredes com a merda que sai da tua boca. Alguém limparia. O que me admira é usarem essa frase como algo sério.


E os anúncios continuam em grande estilo. Desta vez, um cavalheiro certamente radical, declara que antes de comprar um pára-quedas contactou a Cofidis. Fiquei convencido! Um dia que eu enlouqueça de vez e me queira lançar duma avioneta, não me esquecerei de ligar para a Cofidis. Mas primeiro ligo para uma companhia de seguros para fazer um seguro de vida, está bem?


O pasquim Correio da Manhã dizia ontem que meia tonelada de heroína ou de cocaína vale 250 mil euros na rua. Ora, deixa-me cá tirar o lápis da orelha e agarrar num pedaço de papel pardo, isto dá 50 cêntimos por grama. Não sei bem em que ruas é que andam os jornalistas do CM mas para a próxima convidem-me. Um grama de branca mais barato do que um café é uma promoção muito em conta. Já fui procurar no Pingo Doce e não encontrei.


Um Policarpo qualquer declarou que as boas acções tornam este mundo melhor. Eu conhecia o ditado que diz que as acções é que nos tornam melhor e não as crenças. É parecido. Por essas e por outras é que só acredito no taoísmo. Vira o rabo para cá e tau, tau, tau!

No final do jogo da Taça de Portugal, entrevistaram o Polga.

Polga: Agora é o momento de pensar na próxima época e começar a trabalhar.
Repórter: Quer dizer que vai cá ficar na próxima época?
Polga: Agora não é o momento de falar da próxima época temos que pensar só neste jogo.

Compreendo, Polga. A tua cabecinha só retém os últimos 5 segundos de informação. Viu-se no golo. Esqueceste-te de onde estavas.

Ainda sobre o futebol e o Bayern: Chupa Merkel! Chupa Ratzinger!

Parece que hoje é noite de Globos de Ouro. Fico muito contente. A inspiração para os textos anda a falhar-me e a Tangerine tem passado os dias a puxar lustro à passarinha. Um evento deste género é sempre uma fonte de disparates e gente parva armada ao pingarelho e Hollywood versão rua do Coliseu. Além de algumas mamas e trancas que certamente aparecerão, ainda tenho algum barulho de fundo enquanto coso uns botões na minha farda.

Farda? Sim, candidatei-me à GNR. Não há dia em que abra o jornal e não leia que mais um agente qualquer duma qualquer autoridade se abarbatou a uns trocos. A vida está difícil.

Torçam por mim. Depois, a troco duma doação simbólica, apagarei multas de trânsito e orientarei umas senhoras para trabalharem no horário nocturno.

Para as meninas, perdoarei as multas que levam por falarem ao telemóvel enquanto conduzem. Não quero dinheiro, sou um cavalheiro.

Meia queca e fico satisfeito.








Oferta de Pirâmides

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Não respondam a esta treta!


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Podando o Ramos

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Porreiro, já me ofereceram um isqueiro. Começava a ficar farto de ter que ligar o fogão cada vez que me apetecia fumar um cigarro. Sendo assim, e já equipado, posso dedicar-me à prazenteira tarefa de escrever sobre este senhor que nem sei bem como adjectivar. Pensei em palavrões normais mas são insuficientes para descrever a gloriosa ignorância do Cláudio Ramos.

Os trechos que se seguem foram extraídos de oito minutos duma dita reportagem do senhor.

Um jornalista assim como eu.
Como tu? Mas tu és jornalista onde, Claudinho?

A internet é como um vírus, sai de um lado para o outro.
Pois é. Mais ou menos como tu e o Pedro Crespim. Entra por um lado, entra pelo outro, é como um vírus.

Ela é mãe de um bebé com 6 anos.
Elá, pá! Boa informação. Retiro a primeira pergunta, és mesmo um bom jornalista. E conheço uma que é mãe de um adolescente de 57 anos.

Eu acho que os Anonymous e os “Hacres” da internet deviam ter todos um destino que é muito longe da realidade humana.
Também acho. Os “hacres”, os ácaros e todas essas coisas funestas deveriam ir, deixa cá ver, não me lembro de nenhum sítio assim de repente...Poderia mandar os gajos à merda mas eles não iriam apreciar a tua companhia. Restam-me poucas hipóteses. Que tal para a cona da mãe do bebé de 6 anos? Quem consegue parir um bebé com aquele tamanho deve ter espaço para uns quantos “hacres”. Olha, de caminho, pede-lhes boleia. Só uma coisinha, onde é que raio é essa tal realidade humana?

Eu no meu próprio caso particular tive a minha página do Facebook desactivada porque alguém se lembrou de a denunciar.
Olha, eu no meu impróprio caso colectivo acho que quem fez isso merecia um prémio. Aliás, acho uma óptima ideia e vai ser a primeira coisa que vou fazer cada vez que entrar no meu Facebook.

A não ser inocente corre em pena de prisão.
Corre? Não corras tu não e vais ver onde vais parar com tanto disparate.

Uma produção que podes fazer para uma Gei Quiu, uma Men Sel...
Adoro essas revistas. Contrafacção chinesa , aposto, da GQ e da Men's Health. Já agora, “gei” como tu dizes, é jota. Porra que além de rôto és burro. Tiveste mesmo azar.

Chorei tanto, eu sou um romântico “imperdido”.
Eu é que choro com essa boca que parece uma ETAR. Mas será possível que não acertes uma? Já sei que és de Luanda mas da última vez que verifiquei ainda se fala português por lá. Ou algo parecido...pelo menos não é brasileiro.

Ela está sempre igual para quem gosta.
É, como tu, meu q'rido. Estás sempre igual para mim. Lembras-me aquele rastilho que fica nas cuecas quando não limpas bem o rabo.

Facebook

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Foi criada uma página no Facebook para nos ajudar com as notificações das nossas historietas. Estamos fartos de poluir murais.

MOTIVEM-NOS. GOSTAMOS QUE GOSTEM. E GOSTAMOS DE FESTAS.

FAÇAM UM LIKE OU UM GOSTO OU O RAIO QUE VOS PARTA S.F.F.

EM 


Obrigado, mui estimados leitores.
Beijos, abraços e aquelas coisas pegajosas do costume.

Medinos e Tangerine

E se um dia eu acordasse e fosse um gajo???

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Acordo vou a casa de banho e peido-me alto. "porra que merda foi esta. foda-se. entramos em guerra civil? e porque e que estou a dizer asneiras"
Tento mijar sentado na sanita mas acerto no espelho. "foda-se o que se passa"
Olho para baixo e reparo, Grito e sai uma voz grave!!! que e isto pah? Foda-se uma pila? NAO. E GRANDE. Sorrio. Estou a sorrir porque caralho? Onde anda a minha cona pah??
Olho o espelho regado pela ma pontaria, cago na cena e peido-me outra vez.
Tento vestir as cuecas de fio dental e rendinhas mas os pelos ficam todos de fora o fio dental aleija-me o cu as cuecas apertam-me os tomates...ahhhhhh...esqueco as cuecas. Olho para o lado e vejo as calcas do pijama as riscas, visto-as, tenho uma sweat do meu ex, visto-a, "o gajo ate era porreiro, gostava do benfica e bebia litrosas de penalty, nao sei porque e que acabei com ele...ah. foi por causa do porradao que me deu...oh, tambem foi merecido o melhor amigo dele nao tinha nada de estar a olhar para as minhas mamas". Mamas. "foda-se eu era boa como os cornos, tinha uma cona comestivel como tudo" Vejo um alto a levantar as calcas, "e pah caralho que e isto, ai ca bom...espera so umas abaaaaaaaannnnnnnaaaadeeeellllassssssss...ja esta? Foda-se sou rapido caralho, sera que consigo ainda mais rapido?? eu gosto e de velocidades...espera vou abbbbaaannnnaaarrr...foda-se e consigo mesmo...ainda de bem que e sabado, nao tenho de me preocupar com o banho e com o trabalho".
Vou a tasca comer um corato com mostarda e umas batatas fritas e esta la uma loira de labios vermelhos com os olhos pintados ate as sobracelhas de azul prostituta. O alto ganha vida. Sento-me e cruzo a perna. "Que rabo, aqueles arrefegos a sairem das calcas, dava-lhe uma foda, mas primeiro metia-o todo naquela boca ate lhe sair a merda do baton...foda-se...vim-me outra vez"...vou a casa de banho e faco a coisa mais pratica mando agua para as calcas todas e finjo que me molhei. Vou falar com ela.
- Entao tudo bem?
Nada. "foda-se que olhar foi aquele puta de merda, se soubesses que tenho um caralho de 50 cm de comprimento e 20 de largura ja nao mandavas esses olhos...e pah comichao dum raio"...coco-me e ela repara. "ah ja viste nao e minha cabra, entao espera que ainda te mostro melhor o que tenho aqui para me vir nesse cu", baixo as calcas, ela olha e da-me um estaladao.

Acordo suada. Que sonho mais estranho! Se eu fosse homem nao era nada assim...abrutalhado, machista, javardo...ai espera que estou a ficar excitada, vou tocar na minha "xaninha" um bocadinho!

Ardente

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Reza a lenda que, lá para os lados de Santa Cona do Assobio, existia um simpático, embora pequeno, reino à beira-mar escarrapachado.

Nele, vivia uma princesa conhecida pela sua imensa beleza e bondade. Um dia, quando a princesa passeava pelos bosques e fazia aquilo que as princesas fazem, falar com os coelhinhos, cantar com os pássaros e saltitar com uma elegância inconsequente, aparece um cavaleiro.
Poderia descrever o sujeito como envolto numa cromada armadura, com um cavalo branco e um sorriso ofuscantemente Colgate. Não era. Era só um cavaleiro.

Apaixonaram-se. Fizeram os seus votos secretos de que não iriam amar-se para sempre. Iriam apaixonar-se todos os dias. Para sempre. Um dia de cada vez.

E assim fizeram, durante o tempo possível, junto ao mar, em encontros sem conhecimento do rei. O monarca, entretanto, já tinha prometido a mão da sua formosa filha ao príncipe do reino vizinho que por facilidade de identificação chamaremos de Cú de Judas.

Era um sonho militar e político, reunir os Reinos de Santa Cona do Assobio e Cú de Judas e o casamento entre os dois rebentos era a forma mais usada na época para selar este tipo de acordos. Algo assim como Hollande e Merkel.

No entanto, o poderoso reino vizinho dispunha de uma força de espionagem muito activa e bem organizada. E, eventualmente, chegou aos ouvidos do Mago de Cú De Judas que não era o Saramago, o romance indiscreto que a princesa mantinha com o tal cavaleiro que nem sequer uma armadura cromada tinha.

Lançou-lhes uma maldição: quando os dois amantes tornassem a olhar-se, iriam odiar-se para sempre.

Mas, também o nosso cavaleiro tinha as suas fontes de informação e o feitiço chegou ao seu conhecimento. Tomou uma decisão. Nunca mais veria a princesa.

A princesa, sentiu o rasgar de carne inocente com a ausência do seu amado. Apagou-se. Casou com o príncipe de Cu de Judas. Foi vivendo morta mas com os dois reinos juntos e cada vez mais prósperos.

Um dia, o cavaleiro sente que tinha chegado a sua hora de se alhear deste mundo. Morre. Não houve flores, nem coroas, nem sermões ou cortejos de carpideiras. Somente um desejo. Pediu que o seu coração lhe fosse arrancado e queimado na falésia mais alta sobre o mar onde tinha passeado com a sua amada em vida. Seria a forma de quebrar a maldição. Assim, foi feito.

Esta era uma terra sem segredos como decerto já devem ter reparado. Parecia que era povoada só por porteiras. A notícia da morte do cavaleiro, da maldição e do coração ardente chegaram aos ouvidos da princesa.

Adoece de tristeza. Morre. Houve flores, coroas, sermões e cortejos de carpideiras. E um desejo. Pediu que o seu coração lhe fosse arrancado e queimado no mesmo lugar que o do seu amado cavaleiro.

Muitos anos passaram. O nome dos reinos e a sua história foram sendo esquecidos. Sei que existe uma falésia aqui perto, sobre o mar, que, em noites de tempestade, tem uma chama imensa que arde e guia os pescadores para junto de quem amam.

Por vezes, sento-me perto do seu calor e fico a ver o mar.


E, se um dia, eu acordasse transformado em gaja?

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E, se um dia, eu acordasse transformado em gaja?


Creio que isto seria aflitivo para qualquer homem que se preze. Imaginem para mim que odeio gajas. Abomino-as. Não há nada como um bom exemplar masculino. Viril. Bem cheiroso. Com a barbinha a picar. Chuac! Mimoso!


8h00 Levanto-me. A estas horas nem sei o meu nome quanto mais o meu género. Vou com os olhos fechados à casa de banho onde a sanita me aguarda com a tampa para cima. Sim, é uma casa de banho de gajos. Não se baixa a tampa. Começo a mijar. Sinto as pernas quentes. Ouço mais barulho de líquido a cair no chão do que o habitual quando falho uns centímetros. Foda-se! Onde deixei a minha pila?

08h05 Acordo. Mal mas acordo. Com as pernas mijadas e ainda a não acreditar que tenha perdido a pila, vou fazer o café. Acendo um cigarro, beberrico o café e ligo o televisor.

08h15 Acordo, outra vez. Merda! Isto é mesmo a sério. Não tenho pila. Vou até ao espelho. Olha, e tenho um grande par de mamas! Aliás, até sou uma gaja gira. E boa! Estou fodido. Como é que isto aconteceu?

08h20 Baixo a tampa da sanita. Limpo aquela javardice toda. Agora já percebo a razão de aquilo ficar para baixo. Dou uma mijinha sentado e agarro numa revista que uma namorada qualquer deixou na casa-de-banho. Acendo um cigarro e folheio as novidades das telenovelas. Olha que isto até nem é mau de todo.

08h30 Vou admirar-me em frente ao espelho. Sou mesmo boa.

08h35 Tomo banho. Enquanto me lavo, sinto um estranho prazer com o chuveiro e o sabonete no meio das pernas. Mais uma coisita que não é má de todo. Fico mais uns minutos a testar o meu novo corpo.

09h00 Atrasei-me um pouco. Saio do banho. Seco-me e visto um roupão. Vou à frente do espelho, abro o roupão e olho para mim outra vez. Grossa! Boa! Comia-te toda. Se tivesse pila.

09h01 Deu-me um desejo súbito de deixar a casa-de-banho arrumada e limpa. Quésta merda? Não me controlo. Arrumo a roupa suja toda, passo uma esfregona no chão e ainda vou limpar o restante com um Vileda. Ficou tudo a brilhar. Sinto uma estranha sensação de alívio que não tinha sentido nunca.

09h30 Novo desejo. Apetece-me o telemóvel. Encontro-o. Nunca me tinha dado conta que o amava tanto. Vou enviar umas mensagens para as amigas. Será que a gajinha sabe que o gajo anda com a gajona? Se não sabe, deveria saber. Para isso, é que servem as amigas. SMS. SMS. SMS.

09h50 Creio que arruinei dois casamentos. Os homens não prestam mesmo.

10h00 Sinto-me revigorada. Coitadinha da minha amiga. Vou vestir-me. Tenho ainda algumas roupas da minha ex por aí.

12h00 Estou vestida. Exuberante. Vou ao espelho. Sou mesmo boa.

12h05 Como é que consegui enfiar o carro neste espaço? Bato pela primeira, segunda e terceira vez na vida. Parece que já não sei conduzir.

12h10 Ia para o trabalho mas deu-me uma vontade insaciável de ir a um centro comercial.

12h20 Chego ao centro. Vou estacionar.

12h45 Estacionei e não bati em lado nenhum. Olha! Sapatos! Vou a correr. Olha! Uma loja com promoções. Olha! Um SMS do ex-marido da minha amiga! Escrevo para ele: “Uma amiga avisou-a, foi? Que chatice. Não, não sou o teu amigo. Sou uma amiga dele que ficou com o telemóvel. Queres vir ter ao centro?” Sinto uma vontade incontrolável de trair a minha melhor amiga. Estou a adorar ser mulher.

18h00 Depois te ter estado com o ex da minha melhor amiga, regresso a casa. Sou muito honesta. SMS para ela a contar.

11h00 Acordo. Afinal foi só um sonho e o meu instrumento mantém-se intacto e a casa por arrumar. Graças a Deus! Graças a Deus? Espera...mas eu não sou religioso. Ora foda-se, acordei católico. Mais valia acordar sem pila!




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O que se pode pedir mais???

Medos

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 Mais um texto do nosso benjamim, o Tom. A acidez anda a pegar-se. Sigam o exemplo do Tom e dos outros autores convidados e enviem-nos os vossos textos. Shalom!
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London London

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faltam 6 dias. nem tanto. hoje alem de nao escrever com acentos porque nao os tenho, nao me apetece usar maiusculas. escrever tambem e giro por isto, podemos fazer o que quisermos, ate posso escrever ao contrario ou trocar letras, sinto-me sempre um pouco "out" quando quebro uma regra de escrita, por isso ate agradeco ao acordo ortografico por me vandalizar.

Londres, ja vivi la e acho que nunca deixei a cidade para tras. e impossivel viver em Londres sem nunca mais viver em Londres. Londres e doente e eu tambem. Londres e a amante da minha vida. Portugal e um casamento muito mal conseguido ao qual fui prometida desde que nasci. Londres e onde me perco, onde posso dizer "nao tenho nenhum compromisso contigo" e depois querer aquele beijo fogoso da paixao infinita.

Londres ensinou-me que, nao sou menina da cidade, que sou muito mais gira (interiormente) do que pensava ser, que uma vida perfeita seria uma sem dinheiro. ensinou-me a partilha, que pessoas parvas existem no mundo todo, que podemos ser apanhados de surpresa tantas vezes por dia quanto segundos existem (esta frase nao esta bem construida, mas hoje nao me importo com isso).

de ca, ja tenho saudades de algumas pessoas que amo. e de outras que me amam. estou ansiosa por chegar la, mas nao estou como estava da primeira vez que fui. da primeira vez que fui queria ir ver uma pessoa com uma urgencia gigantesca. agora quero reencontrar os 15 amores que 1 me deu...e quero fazer as coisas mais ou menos como deve ser, comigo como deve ser normalmente nao acontece e deixei de me preocupar muito com isso.

Vou sair em Heathrow, vou direita a Acton e bater a porta da casa onde vivi para dar abracos. vou ate Shepherds Bush para ir comer o meu brownie de raspberry com chocolate branco e beber um cappuccino (Londres tem o pior cafe mas os melhores "derivados")...vou andar perdida nos jardins e deixo-me estar ate encontrar-me com uma das melhores pessoas que ja conheci ate hoje. ou, posso sempre fazer um tempo em Camden e ir ter com o meu livreiro favorito, que me vende livros a uma libra. adoro-o.

nao sei como vai ser. mas sei que se calhar...

Londres.

Amílcar Vs Rafaela Vanessa

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O grande amor da vida do Amílcar, a sua filha Rafaela Vanessa, está a ficar grandinha. Apesar de tão crescida e espigadota, e de todo o propalado amor, o Amílcar nunca trocou um jogo de dominó por cinco minutos com a Rafaela.

“A minha Rafaela é a filha mais linda do mundo. Marca aí quinze pontos para mim”
“A miúda está bem. Está em casa com o cão.”

Mas a nossa Rafinha, como já foi dito, estava espigadota. Tinha um perfil no hi5 com o sugestivo nome de aQuElA nInAh FufinHa, que levantava muitas dúvidas. Seria a rapariga fofa, macia e cheia de tufos como algodão em rama ou seria uma lésbica deslavada que usava os sapatos do pai?
Sempre atenta e perspicaz, a nossa menina fofinha, esclarecia tudo numa breve descrição de si própria:

“olaah u meu nome e rafaela ,tenhu 18 anox, xou mt feliz cm a minha familia e cm us meus amigox......xau ate mais.”

Certo. Todos entendemos que a Rafinha herdou o prodigioso cérebro do pai. Não foi só a beleza e o bigode. E continuava na sua descrição:

“Filmes favoritos
K muxica pk goxto de ouvir cantar!

Shows de TV favoritos
mtv, mcm, tvi

Livros favoritos
n tenho n goxto d ler

Citação favorita
n me alembro”

Ora o Amílcar estava num dos dias em que se achava bom pai. Até porque a Céu estava fechada.

- Ó Rafaela Vanessa, quéssa fotografia tua no computador?
- Não é nada, pai. Estou a estudar.
- Ó Rafaela...
- Pai?
- Tu não me enganes que eu desgraço-me! E a seguir desgraço-te a ti! Ou ao contrário!
- Pai, não sejas careta. Esta cena é bué de fixe. Tenho aqui montes de migas.
- E as tuas amigas estão todas em cuecas a tirar fotografias com o telemóvel?! Eu vou-me desgraçar, ai vou! Olha que eu estive em África!

A Rafaela tremia. Já sabia que a esperava uma surra um dia que o pai se entornasse um pouco mais que o costume.

- Ó Rafaela, e quem é essa outra também quase nua?
- Não sei, pai. Adicionou-me como amiga.
- Adi...quê? Chega para lá. Como é que se vê esta pouca vergonha? Mostra lá as fotografias para ver se eu a conheço.
- Pai...

Os olhos do Amílcar ficaram esbugalhados e exclamou em tom autoritário:

- Sai daqui do quarto que quero ficar sozinho. Vou, vou...vou conferir para ver se não te tiro o computador.
- Mas Pai...
- Nem mas nem meio mas! E fecha a porta do quarto! Só voltas quando eu chamar.

Bem jeitositas, estas amigas, pensou o Amílcar enquanto ia alegremente clicando com ar de intelectual num bar de strip.


Publicado pela primeira vez em As Aventuras do Amílcar 

Sessão de Esclarecimento

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Não sei o que raio ando a fazer mas, recentemente, tenho sido adjectivado das mais diversas coisas pelas mais diversas pessoas. Não o habitual cabrão de merda ou filho da puta. Não, nada desses mimos vulgares. A esses já estou habituado.

Parece que existe um surto de um vírus de psicanálise e que me tornei no caso favorito de quem me rodeia. Tem graça. Até porque foram muitas pessoas. E acho um elogio enorme perderem dez minutos na elaboração de um relatório clínico dos meus comportamentos. Fico, honestamente, contente e envaidecido.

Mas estão todos enganados. Pecam pelo carácter dogmático das afirmações e toda a gente sabe que dogmas dão -se de pastar juntamente com uma hóstia generosamente ministrada pelo senhor abade que, entretanto, já mamou uns copitos do sangue do filho do Outro. E o sangue do filho bate. Tal como as hóstias que, nas paróquias mais avançadas e mais felizes, levam uma gotinha de diatelamida do ácido lisérgico. Mentira. Estou a inventar. Não vão já a correr para as igrejas, sua cambada de drógados com acento no “o”. (Não estou a inventar, não. Mas deixem as igrejas em paz porque já há poucas hóstias e tenho uma rave marcada para Sábado)

Ora bem...uma pequena pausa para ver quem é que já consegui aborrecer entretanto. Amigos, católicos, pessoas que estavam à espera de um texto com pés e cabeça e a minha gata que quer colo. Já não faltam muitos seres vivos. Aguentem que chegará a vossa vez.

Por falar em seres vivos, parece-me que cada vez mais ando rodeado de gente morta e com tendência para o canibalismo. Um walking dead em versão low budget com meia dúzia de campistas como actores secundários. E eu que não falasse dos campistas...pelo menos, não falei da atribuição da culpa pela enésima vez. Sou um gajo com pouca imaginação e repito-me muito quando vejo que algo pegou.

Essa falta de imaginação tem-me valido alguns dissabores. Escrevo com uma enorme influência do que que me vai sucedendo diariamente. Friso a palavra influência. Não é uma biografia porque senão os médicos receitariam os meus textos em vez de Xanax de tão maçadora e narcótica é a vida que levo. São frases, situações, coisas que eu nem me lembro mas que, no fim, tudo se junta para formar uma história. Tal como nos sonhos.

Dito isto, e para evitar chamadas de atenção de mais uma categoria de seres vivos a somar aos já referidos, gostaria de esclarecer o seguinte: tudo aquilo que não tiver o vosso nome expressamente mencionado, não vos é dedicado. Além de que isto é um pouco como o tempo de antena: é da exclusiva responsabilidade do personagem Medinos e não do seu criador. Já sei que vos faz um pouco de confusão mas são duas coisinhas diferentes. Reparem no tom jocoso e provocador do “coisinhas”. Ando mesmo a pôr-me a jeito para que me mandem à merda.

Enfim...Lá terá que ser.

Já vos disse que, aparentemente, sou um caso clínico?



O Homem Primitivo Moderno

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Hoje, um texto de Teixeira de Pascoaes para variar um pouco.

Reparai num homem civilizado, rico, inteligente e feliz; olhai-o bem; tirai-lhe o chapéu alto, o casaco, as botas de verniz; despi-o, enfim: vereis a miséria da carne tentando um feroz regresso às formas caricatas do orogotango inicial. 

Ide mais longe; penetrai-lhe o esqueleto, atravessai-lhe as entranhas: vereis então a maior das pobrezas, a miséria absoluta, a ausência de alma. 

Sim: conforme a alma vai desaparecendo, o corpo vai-se sumindo e, apagando nas indecisas, grosseiras formas originárias. Por cada sentimento que morre, o cóccix aumenta um elo. 

As criaturas de que se compõe a parte dominante da sociedade, estão já mais próximas do macaco do que do homem. As abas da casaca são feitas para encobrir os primeiros movimentos comprometedores da cauda... a bota de verniz tenta apertar e reduzir o pé que principia a prolongar-se assustadoramente. A luva realiza, nas mãos, o mesmo papel hipócrita...Continuai na vossa análise do homem civilizado que parou agora, além, em frente duma vitrine de ourives, atraído, como os moscardos, pelo fulgor dos brilhantes, das esmeraldas, dos rúbis, dos topázios, de todas as pedras, enfim, que o homem não pode atirar ao seu semelhante. 

Olhai-o bem; a primeira coisa que nos fere é a hostilidade que se exala de toda a sua fisionomia. Tudo nele é forçado, contrafeito, artificial; o colarinho alto esgana-o sem piedade; o vidro do monóculo contrai-lhe o rosto aflitivamente; o bigode parece conservar-se bem torcido e no seu lugar à custa de mil sacrifícios; os pés gritam asfixiados dentro das botas elegantes; os seus cabelos tombam para nunca mais se erguerem, sob o peso caricato do chapéu alto, torre de ridículo, tudo negro de chaminé, por onde sai o fumo das ideias em combustão!... 


Teixeira de Pascoaes, in "A Saudade e o Saudosismo"

Culpa III

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A criação de um texto obedece, em algumas pessoas, a um método tão rigoroso como seguir uma receita do Pantagruel. Os devidos pesos, a duração certa, se é sobremesa, entrada ou prato principal e a quem se destina o repasto final.

Outros mais tontinhos como eu, limitam-se a ir escrevinhando, fumando um cigarro e beberricando algo que hoje por acaso é café com gelo e limão. A ideia está lá mas enquanto não surge uma oportunidade para a encaixar vai-se enchendo chouriços como estou a fazer agora. Em dois parágrafos já fiz referências a comida mesmo já tendo jantado duas vezes. Creio que é falta de alimento. Alimento para a alma como cantava o Lou Reed.

E, lá está. É agora que dou a volta ao texto e espeto com o que queria.

Por falar em espetar...

Não, não é para aí que eu vou virar o tema. Esta não é uma crónica erótica da Tangerine. Falava-se de alimento.

O maior alimento que eu me posso lembrar é o afecto. Os afectos, de maior ou menor intensidade, preenchem-nos e esvaziam-nos. Ficamos cheios, alimentados e de ego anafado quando tudo corre bem e com uma tremenda indigestão e a jurar que nunca mais comemos daquilo quando as relações terminam. Pela terceira vez, mencionarei a atribuição da culpa e a sua imprescindibilidade quando a curva dos afectos começa a descer.

A culpa existe sempre e é tão real quanto a acção em si. Não existe um desfecho negativo sem culpa. Ah e tal, foi azar. Não há azar nem sorte. Há culpa. Mesmo quando não acertamos na lotaria, a culpa é nossa por escolhermos um bilhete que não tinha prémio. Culpa, culpa, culpa. Não há azar.

Estando este ponto estabelecido, falta verificar de quem é a culpa. Para facilidade de exemplo, tomemos duas pessoas. Aproximam-se, seduzem-se, apaixonam-se, separam-se. De quem é a culpa da separação?

Isso é fácil, dir-se-á. A culpa é do gajo por ser um grande filho da puta ou da gaja por ser ela a dita puta. Não. Isso será remeter a culpa da separação para o dia em que ocorreu. A separação, tal como a morte, começou no dia em que se aproximaram. E quem tomou a iniciativa da aproximação?

Já percebi, quem se aproximou e iniciou aquela bela merda é que teve a culpa. Mais valia estar quieto a contar azulejos. Errado. Pode ter sido induzido em erro pela outra pessoa.

Então de quem é a culpa afinal?

Pois, nunca se sabe. E, a verdade é que não interessa. Se cairmos e partirmos uma perna, o que interessa é a perna partida. Não interessa o que tinhas calçado, se havia óleo no chão e quem o deitou lá, se poderias ter seguido outro caminho. Caíste e fodeste-te. Ponto. A partir dá não há nada que te adiante na atribuição da culpa a não ser para pagar as contas do hospital. Mas, a perna, essa, continua partida. Com culpa ou sem ela, não interessa quem paga a conta.

Interessa quem partiu a perna. 

No entanto, a perna não dói tanto se atribuirmos a culpa a alguém. Mesmo não sabendo se é verdade.

 A perna, por muito que não queiras, continuará partida. 

Pull My Hair

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Enviado por alguém que além de nossa leitora é, certamente, a mulher mais desejável do Mundo.
Pelo menos, na minha opinião.

Atraso

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Mais um texto de um autor convidado, o Ricardo Andrade, Noicus para os amigos. Continuando na nossa variedade de profissões agora o autor é um homem das educações físicas e treino com bola.

Amor, estou atrasada, disse-me ela por sms.

Bonito.

Bem lhe havia dito que encontrarmo-nos de vez à porta do restaurante não ia

bater certo…

As mulheres têm destas coisas…

Um pouco de base aqui, um pouco de rimel ali, pintar as unhas no tom do

vestido, vasculhar os armários à procura daquela mala de griffe…

E o tempo, esse sacana, não se compadece com tamanha tarefa e teima em

fazer correr as horas…

Já devia estar à espera…

Afinal, já não era a primeira vez…

Essa foi no dia em que conheci os meus sogros; 19h30 à porta do restaurante,

que ela ia lá ter.

19h15 já lá estava, que a 1ª impressão conta, e muito.

(As pernas, essas, tremiam)

19h25, sms.

“Amor, estou atrasada. Os meus pais devem estar a chegar, fica com eles até

eu chegar, ok? Beijo”

Ora foda-se, que isto começa bem, pensei eu na altura, do alto do meu fato de

corte italiano, imaculadamente engomado.

E eis-me aqui, 2 anos depois, com o mesmo fato, de novo à espera à porta do

restaurante.

Tento manter a calma, para não amarrotar o fato…

Afinal, o que são 5 ou 10 minutos de espera?

Nada, comparados com os 30 que já se passaram…

Segue sms: “AFINAL???”

A resposta veio pessoalmente, acompanhada de um beijo de desculpas:

“Amor, estou atrasada”

Ah! a subtileza feminina… chegar 30 minutos depois da hora e dizer que está

atrasada…

(Agora, atrasado estou eu, que está na hora de ir mudar a fralda!)
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Querido Medinos, porque ha coisas que devem la ficar ;)

Medinos Vs Tangerine em: Gajas Vs Gajos

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Ao conversar com a Tangerine sobre temas para os próximos textos, pensou-se em muita coisa. Somos pessoas cultas e informadas e, como tal, discutimos a influência da saída da Grécia do Euro na economia global, os rituais de acasalamento dos dragões-de-komodo, os hábitos alimentares de D. Sancho I, o corte dos fatos do Passos Coelho, Kafka numa perspectiva sob ácido e se Aldous Huxley teria uma ou duas amantes.

Depois disto tudo, voltámos ao normal. A droga deixou de fazer efeito e falámos sobre o que é habitual: sexo.

A lista seguinte é a do nosso Top 5 de gajas e gajos. Eu vou fazer um esforço para fugir à minha bichanice habitual e faço a lista das minha meninas predilectas mesmo ficando a faltar muitas. A Tangerine fica com os gajos.

MEDINOS





  1. Hope Sandoval (Los Angeles, California, 24 de Junho de 1966): Com 45 anos ainda consegue ser uma das poucas que me levaria ao altar. Além de que o Sometimes Always com os The Jesus And Mary Chain deve ser das músicas que mais me fazem querer beijar alguém. 




  2. Anne Jacqueline Hathaway (Nova Iorque, 12 de Novembro de 1982): aos 29 anos consegue ser a imagem da Branca de Neve. Mas depois do Love and Other Drugs fiquei rendido. Era para sempre. A não ser que a Hope me batesse à porta.



  3.  Monica Anna Maria Bellucci (Città di Castello, Úmbria, Itália, 30 de Setembro de 1964): Já sei que tem 47 anos mas porra! Monica, what else? Aqui ela até parece a Tangerine.



  4. Aria Giovanni (Los Angeles, California, 3 de Novembro de 1977): Ainda só tem 34 anos mas quando se pensa em coxas ou mamas só há uma resposta, Aria. 


  5. Tia Carrere (Honolulu, Havai, 2 de Janeiro de 1967): Tem 45 anos e provocou muitas poluções nocturnas a adolescentes que a viram desde o MacGyver. Só melhora com a idade. É sexo puro.

Menção honrosa: Elena Anaya (Palencia, Espanha, 17 de Julho de 1975): A actriz de La Piel Que Habito deixou-me de rastos. Ainda por cima é um gajo no filme. Desculpem lá o spoiler.

TANGERINE




  1. Johnny Depp, tem aquele ar de quem me encostava a parede e me fazia vir ainda antes de entrar em mim


  2. Gary Oldman, um dos actores mais completos interessantes e sensuais que conheco e depois do seu papel em Dracula e impossivel de vez em quando nao o imaginar a aparecer debaixo dos meus lencois


  3. Jeremy Irons, sensual, uma voz cativante, E esta cheio daquele ar de "eu sei o que faco e faco-o bem"


  4. Jeff Buckley, Guitarrista, cantor, poeta. Amo-o, mas nao o desejo de uma forma carnal..tambem esta morto, se calhar isso esfria o desejo.


  5. Nuno Lopes, agarrava-lhe nos caracois e era descansar meia hora de 4 em 4 horas para comer qualquer coisita e beber um copinho de agua. Jasus!!! 



    Como é óbvio, este é daqueles posts que exige comentários. Quais os vossos favoritos? 


Sexo e uma cabana

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aH!! Ja sei o que quero para a vida, amar um homem que nao queira trabalhar muito, que nao se importe com o facto de ser pobre e nao ter um Ipad, mas que faca todos os dias amor comigo e me ature as "maduresas" (leia-se a bipolaridade). Esta dito. Este e o meu objectivo e o meu sonho.

Quem feio deseja...

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O titulo deste texto nao tem nada a ver com o texto e passo a explicar, o texto original nao seria este, seria outro qualquer mas eu hoje nao consigo escrever sobre mais nada a nao ser sexo. Vou purgar. SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO...ok...acho que nao aliviou em nada. Eu hoje precisava de passar a tarde toda a fazer sexo, vir-me infinitas vezes e sem certezas de que ia tirar este desejo todo do meu corpo. Portanto eu hoje se quiser fazer um texto que nao fale sobre isto no minimo teriam de me deixar meter entre parenteses a palavra sexo no final das frases so para um alivio rapido.
E fodido ser mulher. E fodido ser uma mulher tao fisica como eu sou, em que gosto mais de sexo do que...esquecam, hoje nem fazer comparacoes consigo. Mas ao menos aqui posso desabafar. ufffaaaa. Adoro sexo, todas as posicoes em qualquer altura do dia. Adoro. Gosto de o fazer com um parceiro fixo pelo simples facto de que fico mais desinibida e posso pedir coisas esquisitas (!!!!) ou dizer palavroes a vontade, mas, quando isso nao existe nao vou procurar o principe encantado para dar uma foda, please!!! No entanto tambem nao vou a um bar ou a um ginasio para trazer pessoas para a cama. Nao sei explicar como e que as vezes estas coisas me acontecem. Porque eu nao me esforco para acontecerem e voces nao me conhecem fisicamente mas eu nao sou a mulher que passa e tudo se poe a mirar! Nao sou. Sou bastante banal. Mas devo ter um cheiro engracado porque as pessoas naturalmente sentem vontade e a vontade para falarem comigo, e a partir dai ja sei dizer porque e que as coisas acontecem. Adoro seduzir. E nao sou muito ma a seduzir. Alias ate sou bastante boa. Nunca sou ordinaria, quando desejo alguem nunca o digo de caras mas vou deixando pequenos sinais. (SEXO, ja nao referia a palavra desde a 11 linha onde digo sexo em forma de palavrao).
Gosto muito de coisas pouco certas mas adoro missionario, pela sensacao de possessao, ADORO ver. Adoro ver a magia de ter alguem a entrar em mim. Adoro sexo com mulheres, de as lamber e enfiar os dedos e beija-las e beijar-lhes as mamas e sentir que perdem o controlo. E tao bom.

OK. Pronto resigno-me a minha insignificancia de ninfo hoje e vou dormir e masturbar-me e chupar os dedos!!!

Os Dilemas de Maio

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Preço da chamada € 0,60 + IVA

Explicando a lei por miúdos , o crime de burla ocorre quando o burlão se serve do erro e do engano para sacar uns cobres a alguém. Ainda segundo a lei, por erro entende-se nenhuma representação da realidade e por engano algo tão simples como mentira.

Ou seja, espetar uma tanga a alguém com base numa mentira para encher os bolsos é burla.

Não duvido que exista alguém que vá já dizer que isto não é bem assim, que há variantes, que há excepções a considerar, enfim, toda a lenga-lenga própria de quem estudou para defender criminosos.

Eu não sou advogado. Sendo assim, quando existe uma lei que diz que todas as paredes têm que ser brancas, não vou ler os outros artigos que consideram excepções para as restantes variantes do arco-íris. Parece-me lógico. Mas a lógica estuda-se em matemática e não costuma ser o forte do pessoal de Letras.

Tendo consigo antagonizar já metade dos leitores, ou mais, tendo em conta as notas nacionais nas provas de matemática, vou continuar. E sem palavrões. Sinto-me bem educado hoje. Até me está a apetecer usar uma ou outra expressão em francês para dar um ar mais sofisticado ao texto.

  • Minha q'rida, como se chama?
  • Maria.
  • Maria, minha q'rida, quando nasceu minha q'rida?
  • Bla, bla, bla.
  • A minha q'rida é Caranguejo. Qual é o seu dilema, minha q'rida?
  • Olhe, ó Maya estou farta de ligar para aí.
  • Ó minha q'rida tem que ir tentando. Ligue várias vezes.
  • Ai, estou tão contente, Dona Maya.
  • Minha q'rida e o seu dilema?
  • ?
  • Minha q'rida o seu dilema, q'rida, o seu problema?
  • Ah, é a minha filha, Dona Maya. Sobre se ela vai arranjar trabalho.
  • Calma, minha q'rida. Data de nascimento da sua filha, minha q'rida?
  • Bla, bla, bla.
  • Muito bem, minha q'rida. A sua filha é (colocar aqui um signo qualquer). Ó minha q'rida, diga-me uma coisa...a sua filha tem enviado currículos?
  • Começou agora a enviar, Dona Maya.
  • Pois...as cartas dizem que ela vai começar a receber respostas. Pelo menos, dentro de um mês receberá algumas respostas, minha q'rida.
  • Ah e é para o estrangeiro, Dona Maya?
  • As cartas não especificam, minha q'rida.
  • E ela não arranja namorado?
  • Minha q'rida, as cartas dizem que chegará o tempo em que se apaixonará.
  • Ah, que bom Dona Maya. Obrigada.
  • Minha q'rida cá fico à espera de a ouvir. Liguem 760 10 30 10. E hoje é um dia para aproveitar as boas energias. Por isso, toca a ligar, meus q'ridos.

Está quase a sair um palavrão. Aí vem ele. Está a chegar à ponta dos dedos. Está quase, quase.

Vou conter-me.

  • Ó minha grande taróloga! Isso também eu sei dizer. E de graça.
  • Ó meu q'rido mas só liga quem quer. Experimenta ir ao meu consultório e vais ver como te espeto com uma conta de cem euros por meia hora de consulta. E não tens direito a factura.
  • Está bem, abelha! Já lá vou. Tenho visto no teu programinha que também dás conselhos de saúde. O que é que te habilita para prever desfechos de cancros, como eu já vi tu fazeres?
  • Q'rido, as cartas. As cartas habilitam-me para tal. E a SIC enquanto continuar com estes programinhas de adivinhações e conversas com o além. Aguenta, q'rido.
  • Já te passou pela cabeça que quando aconselhas, como também já vi, uma sogra a não confiar no genro, corres o risco de ele um dia te ir ao focinho?
  • Ó meu q'rido para isso é que existem as plásticas. Já arranjei as mamas e era a maneira de me livrar deste nariz de papagaio. Já disse ao meu q'rido que eu fui professora secundária? Costumo dizer todos os dias mas hoje estava a esquecer-me.
  • E ensinavas o quê, ó abelha? Fama Para Nulidades em 10 lições? Aposto que o Cláudio Ramos fazia parte da turma.
  • O meu grande amigo, Cláudio. Um beijinho para ti, meu q'rido. O Cláudio é (um signo qualquer). Se quiserem saber as previsões para o seu, liguem 760 10 30 10. Próxima chamada, meus q'ridos.


Já está. Escrevi umas linhas sobre a Maya sem um único palavrão.

Há uma razão muito importante para isso. Algumas pessoas não merecem um “foda-se”.

Ah, merda! Borrei a pintura.



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